Igor Minar, um dos principais desenvolvedores do AngularJS, fez uma palestra sensacional e que foi responsável por me convencer a experimentar o assunto mindfulness para valer.

A palestra, intitulada (Super)Power Management foi completamente diferente de qualquer outra que já assisti no setor de desenvolvimento. Fora isto, dá para notar que foi feita de peito aberto, com carinho e vontade genuína em querer passar adiante o conhecimento, pois estava de fato trazendo benefícios reais e ajudando o Igor na sua missão de ter “superpoderes” na programação.

Não pude ficar de fora e gostaria de ajudar a passar esta mensagem para frente também. A palestra possui mais de 18 minutos de duração e como muita gente não tem paciência para ver um vídeo deste tamanho no Youtube, resolvi registrar em formato de texto todos os principais pontos.

1) Será que isto serve para engenharia de software?

Igor começa refletindo se este tipo de palestra, em que ele irá falar sobre mindfulness e meditação, cabe dentro de uma conferência de tecnologia como a ng-conf, que basicamente trata sobre engenharia de software. Ele não hesita em responder que cabe sim. Que inclusive desejaria que alguém tivesse lhe ensinado isto mais cedo na carreira dele.

Dai eu me pergunto: se um cara do porte dele considera importante o assunto na nossa área, quem sou eu para negar pelo menos experimentar algo sobre isto?

2) Talento

Quando ouve alguém falar que certas pessoas são talentosas, ele relaciona este talento com superpoderes, por isso o “Super Power” no nome da palestra.

Ele engata em seguida falando que a maioria das pessoas acredita que:

"Pessoas de sucesso já nascem com talento"

Isto não é verdade, afirma.

Ele diz que recentemente leu um ótimo livro chamado Nurtured by Love, do músico e pedagogo Shinichi Suzuki onde explica que o talento não é inato… ele é criado. Estudando o assunto mais afundo, Igor notou que todas as pessoas de sucesso que ele admirava compartilhavam o seguinte: se esforçavam muito em se desenvolver ao máximo na área em que atuavam.

Então ele fala: “Agora eu sei o que eu preciso para ter talento ou super poderes… Eu preciso apenas trabalhar duro!

3) Trabalhar duro até morrer… será?

Ele conta que durante o seu desenvolvimento, a história se repetia mais ou menos da seguinte forma:

  1. Trabalhar, trabalhar trabalhar!
  2. Estudar, estudar, estudar!
  3. Praticar, praticar, praticar!
  4. Por fim, notar que minha capacidade realmente aumenta!

Mas dai acontece algo interessante:

  1. Ficava cansado e desanimado.
  2. As coisas que eu gostava, eu não gosto mais tanto.
  3. As coisas que eu estava apaixonado, se tornam um fardo, um peso e eu mal consigo dormir tranquilo.
  4. Por fim, isto só acabava alimentando a minha voz interna dizendo que eu não tinha talento.
  5. E se eu não tenho talento, para que se esforçar tanto?
  6. Mas mesmo assim preciso tentar de novo. Começo a trabalhar, estudar, praticar e… passo do limite e volto para o mesmo estado de antes.

Então Igor conclui que “Apesar de que eu vivo neste corpo que minha mente controla, eu tenho pouco controle sobre a minha mente. Se eu quero parar este ciclo, eu preciso entender minhas origens como ser humano e voltar a ter controle.”

4) Meditação e mindfulness

Tentando sair deste ciclo de burnout, Igor relata que esbarrou com o assuntos sobre meditação, mindfulness e que pareciam coisas que valeriam a pena estudar. Ele relata que deve existir outras formas de atacar o problema, mas esta é a que funcionou muito bem para ele.

Meditação? Aqueles monges carecas?

Isso é coisa de maluco ou de pessoas que estão meio fora da casinha...

Igor relata que pensava exatamente da mesma forma, até perceber duas coisas:

  1. No Google, de tempos em tempos ele esbarrava com o assunto mindfulness. Só que lá, toda hora alguém inventa alguma coisa, uma modinha. Só que dessa vez, o assunto começou a passar do estado de modinha e começou a entrar em patamares muito sérios.

  2. Todo este conteúdo não estava baseado em achismo, opiniões ou religião, era tudo baseado na ciência. Mostravam como exercícios mentais podem mudar fisicamente a estrutura de nosso cérebro e basicamente reconfigurá-lo para fazer melhor certas tarefas.

5) Ciência

Igor explica que o nosso cérebro possui duas regiões que tomam decisões: a Amígdala responsável por decisões mais primatas e o Córtex pré-frontal responsável por decisões mais complexas.

Nos primórdios, a capacidade de conseguir ter raciocícios mais complexos e decisões mais elaboradas tinham menos valor do que conseguir fazer decisões rápidas e primatas, como por exemplo, decidir fugir ou encarar um predador que está correndo em sua direção e outras ameaças daquela época.

Hoje continuamos a ter ameaças mas elas são diferentes, explica Igor. Elas estão, por exemplo, no seu ambiente de trabalho, principalmente com colegas e seus conflitos de interesse. Ficar utilizando o seu cérebro primata nestas situações é ruim. Fora isto, o seu cérebro primata ficará atravessando a elaboração das suas idéias na maior parte das vezes.

“Foi dai que eu comecei a me aprofundar mais em mindfulness e os exercícios de meditação, seja poucos minutos por dia, se tornou tão importante quanto exercícios físicos ou até mais importante.”

6) Exercícios básicos

Igor explica que um dos exercícios mais básicos da meditação é prestar atenção na sua própria respiração, seja por poucos minutos. O quão dificil deve ser, certo?

Então ele pediu para sua audiência ficar durante 30 segundos prestando atenção apenas na sua própria respiração e as sensações envolvidas neste processo.

Ao final do exercício questionou a audiência: “Foi difícil? Pensamentos vieram na sua cabeça e você perdeu o foco?

Ele relata que em execícios passados, depois de 1 minuto, tinha perdido o foco pela maior parte do tempo. Então fez um backtrace, voltando pensamento a pensamento e notou que dentro de sua cabeça os pensamentos estavam pulando igual a macacos.

"Não tem como conseguir superpoderes nesta condição. Este simples exercício me mostrou como eu pensava que tinha controle sobre a minha mente."

7) Finalizando a palestra

Ao final, ele faz um depoimento de algo que já falamos neste blog, sobre o corpo e mente e sua exata relação com hardware e software.

Igor acredita que o nosso corpo é o computador mais sofisticado que existe e a nossa mente o software mais sofisticado e que controla este corpo. Quanto mais ele se aprofundava no mindfulness, mais ele notava que o que fazia no trabalho era a a mesma coisa que estes assuntos tratavam, principalmente no quesito de se auto-conhecer (self-awareness) e se auto-regular (self-regulation), uma cópia do que fazemos na hora do profiling e debugging das aplicações.

Ele explica que é uma questão simples: se você consegue se perceber, ter self-awareness, você irá tomar decisões melhores. Igor sustenta a idéia com um exemplo extremamente prático: enquanto você está fazendo uma apresentação, com o self-awareness você poderá perceber que está falando muito rápido e o self-regulation irá fazer a sua voz desacelerar para uma velocidade normal.

Qual o próximo passo?

O próximo passo é muito interessante, pois você pode treinar a sua mente para melhorar o self-awareness e self-regulation. São exercícios simples e que irão ocupar 10 minutos do seu dia.

Escrevi sobre minha experiência pessoal no post Melhor aplicativo para meditação, vale a pena conferir.

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